segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Ensejos Celestes

Se Deus fosse homem no que estaria pensando ao fazer você e confessar aos anjos.


Cores de cantos diferentes
abriam e fechavam-se
numa redoma de amor

- Se querem morrer? Não sei. Querem, acho eu, um espaço para que
pudessem se expandir, sem se ver ou persuadir.

- E o que seriam elas?

- Acho que sobrariam migalhas de tudo que já viram, e estas migalhas se
espatifariam pelas patifarias das palavras causadas ao seu vislumbre, como que antecendo os segundos no inverso de qualquer dia (noite).
Calma, acalme-se. Estou pensando numa íris de cores revoltas que
se entreleçam sem se sufocar, que magnetizam, longe, os disparates do olhar.

- De se ver, será que seriam capazes? Hábeis, será que seriam hábeis?

- Somente para brincar no olho de quem as visse, assim, poderiam elas tomar
vida própria, independente de seu criador, no caso, eu.

- E as percepções?

- Abririam portas, janelas para alma, conspurcação para alguns, para outros,
redenção. Ópio e criança, no mesmo endereço. "Se te queres matar..."

- Referências a poetas?

- Por que não? Deveria haver nessa tal íris uma força que desintristecesse o
ambiente, e viciasse os inocentes na razão de apenas ser vista, algo
inatingível até o momento presente.

- Gostaria de entender o que dizes com tanta paixão...

- Apenas entenderão quando contemplarem tal visão que tantas angústias me
acomentem no seu fazimento.

- Pois veja só: já temos o sol radiante. Nada poderá ser mais maravilhoso
que ele. O sol é tudo isso que descrevestes.

- Sim, um pouco do sol também deverá caber dentro desta pintura, porém o sol
é retido em seu emblema de Rei e não tem aonde ir, se chegares perto demais
dele te queimarás... o Sol, um pouco dele hei também de temperar a gosto.


Fabiano Martins.

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