quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Força matriz

Pelo que vejo, sei aquilo que quero.
Intuitivamente creio naquilo que entendo
e que consigo perceber.
Sou ante o mundo mais um perplexo,
deixo cair meu queixo,
não consigo concretar o nexo.
O plexo daquilo em que me deixo,
eixo não horizontalizado,
perpendicular e monetarizado.
Quero controlar o mundo
e, no fundo, 
pelas seivas que regam vida
sou controlado.
Sem capacidade de escolher um lado,
navego.
Sem capacidade de fazer escolhas,
escolho.
Escorrego no dia mais concreto
sob o sol premente,
a andar de forma displicente
e demandar a coisa
mais humanizada.
Palavra que gostaria de entender e poder 
um pouco mais do que entendo e posso.
Palavra que queria ser um pouco menos
carne e osso.
Desde o cerne conciso que encerra o pensamento
confuso
ao impreciso ato de se ver a partir da perspectiva do outro.
Ressoar ideias em minha limitada testa
a me testar e fazer festa,
e me empurrar para o limite de tudo quanto for limite.
Dinamito a cola do tempo
na lembrança de um olhar afetuoso. 
Espalho as coisas todas postas
à explanação do ponto mais capital.
Nada é natural em um dia normal.


Fabiano Martins.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Encontros

Entrecortados consigo ouvir 
os passos dados 
num momento em que o erro era iminente
me persigo constantemente
iludido,
crescente
Então, proponho uma alusão
a um outro aspecto 
do que é lembrar de mim 
tão jovem
ainda
no escuro da rua
a tatear calçada
a me manter de pé frente à casa iluminada
procurando chaves, que deixei cair,
e volto aqui ao presente
presto de ter visto tudo
de forma clara e condescendente - 
o que hoje procuro é minha própria identidade.

Refletido no olhar da minha mãe, vejo que sou criança.
Volto a pensar por trás daqueles olhos,
o tudo dinâmico me escapa,
mas obstinado procuro o significado de cada palavra, 
sem pressa, sem anseio.
Na noite passada, demorei a dormir,
estive ensimesmado
lutando contra a resignação,
procurando resignificar,
procurando inspiração.
Ela me aparece às vezes, a avó da minha avó,
não sei se é memória ou reminiscência de histórias que contaram,
ela me abraça carinhosamente e há um abismo entre nós:
ela sabe da morte presente, eu aniversario na vida
igualmente há uma conexão entre nós
eu a olho e não percebo suas rugas,
nada sei do seu fim próximo
apenas a quero abraçar. 
Ela me faz um carinho no rosto e me dá um apelido.
Eu procuro seu olhar.
Hoje me esforço para me reconhecer.
Tanta coisa já passada
e os retalhos de quem sou não se refletem 
no espelho
quase como um vampiro me vejo: vitimado o menino doce,
a voz infantil.
A palavra veio errada,
em meio a uma enxurrada de recordações,
num encontro comigo, onde só eu estive presente.


Fabiano Martins