quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sirena

Ontem, o sol tardio das cinco horas brilhou em mim
Minha cabeça caída de lado, voltava aos iguais fatos do passado
vamos caminhar, disse
e comigo mesmo fui
e mesmo comigo, dancei
e dancei

e só de madrugada acordei
estando por aí quieto e esperançoso da vida
via teus olhos de outrora na minha cortina
na minha cortiça
Teus olhos sós
Em pensar em nós: de vira-latas a atores
da aristocracia aos estivadores
no cais, nos pais, no país
e os legados da nossa juventude
vinham dar bandeira
a outros que sem pátria
repatriavam-se
por assim dizer
em mim e em você
somos dois
e dois apartados seres
somos dos
sonhos
e dos bendizeres
Estando apenas um pouco distantes
das lendas, sirenas
dos dias


Fabiano Martins

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