terça-feira, 5 de março de 2013

Pequeno relógio de pó


Somam-se aos anos, passares.
Passos de pessoas que não ficam as faces.
Geografia que não se imprime na memória.
Pesares.
Somam-se aos anos os lugares.
Inexatos, circunspectos à penumbra dos olhares.
Somam-se como aquilo que se descarta:
alegria faltosa e melancolia silenciosa.
Fugacidade de pares.
É onde estou.
Aí, passo sendo o nada que nada sou.
Sendo tudo o que restou da última leva desta viagem.
Soma-se ao meu olhar vadio a paisagem e o frio. Talvez me acalente na sincera sensação de um arrepio, ou talvez acenda algum pavio para que seja lembrado como o nada que nada sou. Entre o tanto que me confundo,
Entre tudo o que me formou.


Fabiano Martins

5 comentários:

  1. Aos poucos nos tornamos sobras do tempo...

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  2. As geografias pessoais e íntimas sempre fogem à memória.
    Adorei este poema.
    Um abraço!!

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  3. Olá, queria-te pedir que pusesses "Gosto" aqui:

    https://www.facebook.com/festivalsecundario2012/posts/500633693307159?comment_id=5247343&notif_t=share_reply

    Se ganharmos, eu e uns amigos ficamos com bilhetes para o festival secundário em Gouveia! Obrigada :)

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  4. Ácida e reflexiva!
    Grande abraço e sucesso!

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  5. Obrigado pelos comentários. Abraços.

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