quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Das razões que movem o mundo




Quer saber o que eu acho da vida?
Um grande Teatro de
convenções impostas.
Não, desculpe. Essa não
é a melhor definição para vida,
mas para o viver no mundo de cá.
Quero descobrir o que há
nesses homens,
que vezes são bons,
e ora são maus por horas.
Quero saber porque meu instinto
preserva o ímpeto meu.
Derruba-me acreditar
que livre é o home rico.
Quero ser livre feito o mendigo,
mas então não terei lugar.
O que há?
Não entende que isso
de comprar vai te derrubar?
Ah já sei, vamos enfrentar o
mal corroborando o seu acontecimento.
Vamos destruir homens para
outros caberem bem,
dentro.
Aos que estão à margem?
Que sofram nas linhas férreas
dos subúrbios abandonados.
Eu vim de trem
de um lugar longínquo.
No meio do caminho havia
pessoas vivendo na sujeira.
Eram pessoas?
Veja bem, eu vim de trem.
Havia pessoas jogadas a um banho no esgoto.
Eram pessoas!
Era gente com a minha cara,
minha imagem e semelhança: duas pernas, nariz, boca.
Pagam o preço porque acham que é normal estarem ali.
Não é normal.
Não é normal romantizar a sujeira,
por meio de palavras corriqueiras.
A sujeira é bela, mas não é romântica.
Afora tudo que acontece, eu não vou mudar o mundo.
Afora todos os dizeres, o comunismo é comum aos interesses.
E tudo o que vejo acontecer é retrocesso.

Progresso de metal, não quero.
Não quero viver ateu e perplexo.
Há alguém além do véu da meia-noite,
alguém quer alguma coisa.
Frente ao que vi na linha do trem,
ao que vi na margem da estrada que caminho,
estão pessoas com sentimentos
e sensações iguais aos meus,
meus amigos
inimigos.
Eles querem me matar, pois eu os mato também.
Pouco a pouco e displicente,
no caminho do
trem.


Fabiano Martins

4 comentários:

  1. Forte!

    Caso a sociedade desvestisse do véu da hipocrisia que há muitos enfeita. Certeza que seriamos mais humanos uns com os outros. Somos hora fonte de óleo como robôs e hora fonte de sangue; mas este sangue que derramado não nos assegura um bem e sim a uma maldição. Deverá consagraremos um dia a chegada do que você vê enquanto ser vivente. Parabéns.

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  2. Infelizmente, as pessoas são descartáveis.
    Obrigado pelo comentário, Lucass!
    Abraço

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  3. "Não é normal.
    Não é normal romantizar a sujeira,
    por meio de palavras corriqueiras.
    A sujeira é bela, mas não é romântica."

    Taí, meu poema conversou comigo hj,lendo o teu...
    Compartilho um pedacinho do diálogo então...

    "E o meu poema cala,
    todo envergonhado
    frente ao absurdo estampado
    em tantos olhos estranhos
    tão parecidos com os meus
    de filhotes de um bicho estranho
    carnívoro, antropofágico
    que eterniza o trágico
    o subnutrido viver de 'irmãos'...
    Olhos envidraçados
    embasbacados
    (alienados?)
    Esperando pacientemente
    pelas horas que os levam à corrente
    de pó que promete o paraíso..."


    Frequentemente, de pensar nisso tudo, como Renato Russo, tenho medo e não consigo dormir...

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  4. Jaci,
    Obrigado por trazer seus versos!

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