quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Servidor

Me traga um cigarro,
um café,
uma graxa,
me deixe lhe achincalhar

Ofereça-me o prato,
o leito
e um peito,
E acabe-se com a mula
nas costas

Me respeite
pois sou poderio
De ti posso fazer o que quiser
Só rias enquanto sorrio
Não me digas do que tu gostas

Ofereça-me até um cigarro
e abras a mão para eu apagá-lo.
O meu terno é negro e de linho
Teu caminho é sozinho,
sem atalho.

De mim serás dependente
eu sou toda a condição.
À realeza nasci presente,
Enquanto tu te alimentas do lixão

Eu sou parte integrante da maldade
pois sou condescente à ela.
Sou humano, mas nem tanto, é verdade,
Mas é tu que morrerás na favela

Meu canto é de ufania
e esbanjo;
Minha vida finita é eterna.
Vou daqui para o que há
adiante
Sou movido a motor,
não à vela

Tua cor está palida
afinal.
Dos meus filhos cuidastes com zelo,
Hoje eu digo "obrigado, animal"
Pois daqui levo eu teu emprego.
E a morrer te vejo enfim
consternar
e baixar esta crista que te acompanha.
Mesmo humilhado a clamar
Tu dizes que és humano e que
me amas.


Fabiano Martins

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